terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Teresa Colomer: "Literatura não é luxo. É a base para a construção de si mesmo"


Teresa Colomer: "Literatura não é luxo. É a base para a construção de si mesmo"

Coordenadora do Grupo de Pesquisa de Literatura Infantil e Juvenil e de Educação Literária (Gretel), da Universidade Autônoma de Barcelona, fala sobre o ensino de literatura na escola

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Teresa Colomer. Foto: Divulgação/Henrique Lenza
Teresa Colomer Doutora em Ciências da Educação e coordenadora do Grupo de Pesquisa de Literatura Infantil e Juvenil e de Educação Literária (Gretel), da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), na Espanha
Literatura é um conteúdo que precisa ser ensinado nas escolas porque possibilita refletir sobre o mundo, criar realidades, ampliar o repertório de linguagem e formar comunidades que se identificam com um determinado conjunto de obras, entre outras habilidades. É o que defende a espanhola Teresa Colomer, justificando a importância de relacionar leitura, literatura infantil e juvenil e formação literária na sala de aula.

Para ela, um dos aspectos do fracasso do estímulo à leitura que mais chamam a atenção tem a ver com a aprendizagem escolar. Ler e escrever são as primeiras tarefas em que as crianças podem não alcançar o que se espera delas. Então, criam defesas, passam a dizer "eu não gosto de ler", na tentativa de se preservar.

Autora de Andar entre Livros - A Leitura Literária na Escola (208 págs., Ed. Global, tel. 11/3277-7999, 42 reais) e Formação do Leitor Literário: A Narrativa Infantil e Juvenil Atual (456 págs., Ed. Global, edição esgotada), Teresa palestrou no evento Conversas ao Pé da Página, promovido pelo Sesc São Paulo, pelo Centro de Estudos em Leitura, Literatura e Juventude A Cor da Letra e pela revista digital independente Emília.
Como definir o que é um leitor literário competente?
TERESA COLOMER É qualquer pessoa que pode desfrutar da literatura lendo. Todos os que completaram a escolaridade obrigatória ou estão nela deveriam ter competência mínima nessa área. Se depois de adultos não quiserem ler, é uma escolha deles. Mas ninguém tem condições de tomar essa decisão se não conhece suficientemente esse universo.

Que competências a escola precisa trabalhar para formar leitores literários?
TERESA São muitas as habilidades envolvidas para que se possa ler, compreender e interpretar um texto e relacioná-lo com o mundo cultural. Uma delas tem a ver com rapidez e fluência: quem lê de forma muito lenta não consegue entender o que o texto diz. Outra é saber relacionar as informações que aparecem na obra. Também é preciso ensinar os alunos a se movimentar no mundo da cultura e da língua literária. Isso implica saber como funcionam as bibliotecas - incluindo o que fazer para encontrar uma obra nas estantes -, que os livros são vendidos nas livrarias, que existem títulos traduzidos e que faz diferença saber quem traduziu, pois o texto lido pode não ser fiel à obra original.

Ler literatura de maneira satisfatória impacta na formação de um bom escritor?
TERESA Acredito que ninguém pode escrever literatura se não lê. É como quem se propõe a tocar música sem ter ouvido várias. Ao ler, temos condições de aprender como funciona a linguagem escrita, os modelos narrativos, as vozes dos personagens. Quem não é leitor pode até escrever como se fala, limitando-se aos modelos orais, mas não outros registros literários intencionalmente mais elaborados. Por isso, a prática da leitura tem tanta importância na escola.

Quais as funções da literatura?
TERESA São muitas, entre elas apresentar outras perspectivas, permitir ao leitor se colocar na pele de outras pessoas e ver o mundo com distintos olhos. Ela também está relacionada à fantasia, à fabulação, que é uma necessidade humana, e por isso inventamos histórias desde sempre. E mais: a literatura constrói comunidades ao reunir pessoas que têm os mesmos referenciais, gostam dos mesmos personagens e das linguagens. Graças à poesia, por exemplo, lutamos com a nossa incapacidade de expressar tudo o que sentimos. Ela é o laboratório da língua e, tal qual as artes plásticas e a música, gera prazer.

Ampliar o vocabulário é outra função da literatura?
TERESA Certamente. No cotidiano, usamos um conjunto restrito de palavras que aprendemos oralmente. Além dele, toda linguagem a mais é aprendida por meio de textos escritos. Se uma criança não lê, não progride nessa aprendizagem e tende a ser alguém que se porta de maneira muito frágil no mundo, pois não domina os discursos, pelo contrário, é dominado pela fala alheia. Ter um amplo repertório ainda é importante para saber o que sente e o que pensa e dialogar com os demais. Literatura não é luxo. É a base para a construção de si mesmo.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Escolas primárias na Finlândia vão trocar escrita a mão por digitação a partir de 2016

Escolas primárias na Finlândia vão trocar escrita a mão por digitação a partir de 2016
postei p amiga em 21-12-14 no FACE
Lembra-se de quando você precisava entregar extensos trabalhos escolares escritos em papel almaço? E quando ganhava zero na questão da prova porque a letra estava horrível? Momentos como este fizeram parte da vida escolar de muitas crianças no mundo, mas estão prestes a serem extintos. Pelo menos na Finlândia, país que já anunciou o fim da disciplina obrigatória de caligrafia nas escolas primárias a partir de 2016. As aulas de escrita a mão serão trocadas por algo mais prático e condizente com as necessidades de hoje: a digitação.
“Habilidades fluentes de digitação são uma importante competência“, afirma Minna Harmanen, da Secretaria Nacional de Educação da Finlândia, nação dona de um dos sistemas educacionais mais bem-conceituados do mundo. Embora a polêmica decisão esteja, indiscutivelmente, de acordo com as tendências mundiais de comunicação, argumenta-se que a capacidade de se comunicar usando tinta e papel ainda é fundamental. Afinal, como deixar um recado para alguém quando o celular ficar sem bateria ou o computador pifar?
Segundo professores finlandeses, não se trata de acabar com a escrita, mas de dar a ela menos importância dentro do currículo escolar. A disciplina ainda estará disponível como optativa. Sabe-se ainda que a caligrafia é uma das atividades responsáveis por estimular o cérebro e acoordenação motora durante a idade escolar. Para que isso não seja afetado, discute-se complementar as disciplinas com atividades manuais, que teriam o mesmo efeito.
Uma mudança como essa pode arrancar uma grande exclamação em um primeiro momento. Mas cá entre nós, qual foi a última vez que você usou lápis e caneta para escrever algo que não um recado rápido ou uma lista de compras?
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Foto © Tuire Punkki
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Foto via Digital Trends
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Foto © Liisa Kukkola
 
 

11 DE DEZEMBRO DE 2014 França debate a abolição das notas nas escolas

11 DE DEZEMBRO DE 2014
França debate a abolição das notas nas escolas
Alunos de uma escola primária de Caen, no noroeste da França.
Alunos de uma escola primária de Caen, no noroeste da França.
AFP
Daniella Franco
As notas estão com os dias contados nas escolas francesas. O Conselho Superior dos Programas, órgão do Ministério da Educação francês, elaborou uma proposta para abolir o sistema de avaliação através das notas, que na França vão de zero até 20, e substituí-las por uma análise mais geral das competências dos alunos. O projeto será discutido em uma conferência nacional nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), em Paris.
Se o projeto for aprovado, caberá ao professor avaliar as capacidades de cada estudante através de conceitos e pareceres individuais. O docente utilizará critérios como o domínio da língua francesa, a capacidade de comunicação, formas e métodos de aprendizado, a postura dos estudantes como cidadãos, sua compreensão e observação do mundo, entre outros.
O objetivo, segundo o Conselho Superior dos Programas, é diminuir as desigualdades, a concorrência, a pressão e estimular os alunos a evoluir nas áreas onde encontram dificuldades. O próprio presidente francês, François Hollande, chegou a classificar o sistema de notas das escolas nacionais como “um castigo” e não como uma forma de avaliar a capacidade dos estudantes.
Para a presidente do Conselho de Avaliação do Sistema Escolar, Nathalie Mons, o sistema atual de avaliação não é justo. “Em algumas escolas, tirar uma nota 12, que está muito próxima da média, não é um bom resultado. Já em estabelecimentos mais exigentes, obter um 12 pode ser considerado ótimo. Ou seja, percebemos que ainda há muita desigualdade nas instituições de ensino”, considera.
Atraso nas reformas
Sistemas similares sem as tradicionais notas já vêm sendo utilizados há muitos anos por países europeus onde a educação é considerada de alto nível, como Suécia, Dinamarca e Alemanha. Na França, se for aprovado, o novo sistema pode começar a ser testado em 2015.
Para Denis Adam, secretário nacional do setor de educação da União dos Sindicatos Autônomos franceses (Unsa) ainda há muita resistência para implementar reformas nas escolas francesas. “Temos um discurso paradoxal sobre isso. Os pais esperam que seus filhos sejam avaliados como quando eles eram estudantes, com a consciência do trauma que isso gerou neles quando recebiam notas ruins”, diz.
Nathalie Mons lembra que não é só a França que é inflexível a mudanças na educação. “Em todos os países que mudaram seu sistema de avaliação foi extremamente complicado realizar um debate na sociedade civil”, ressalta.
O motivo, segundo ela, é que para os pais, a vantagem das notas é que elas mostram objetivamente o desempenho de seus filhos. “Ou seja, se os resultados estão acima de 10, eles estão tranquilos, mas, se as notas estão abaixo da média, há algo de errado. Mas essa clareza é falsa”, garante.
Falta de esclarecimentos
O engenheiro português Pedro David é pai de dois meninos que estudam em escolas francesas. Ele reclama da falta de esclarecimentos sobre o funcionamento do sistema que pretende abolir as notas. “Ainda não entendi muito bem como eles querem aplicar essa reforma. Se for feita uma correspondência exata entre duas escalas de avaliação, não vai servir para nada. Além disso, não acredito que a sociedade francesa vá se adaptar facilmente a esse novo sistema”, confessa.
Nathalie Mons compreende a dificuldade dos pais em relação às mudanças. Para ela, é necessário que a comunicação sobre essas reformas na educação também seja aprimorada. “Se aplicarmos outros tipos de avaliação, é preciso que eles sejam facilmente interpretados pelas famílias. E que algo mais seja feito em termos de informação aos pais sobre a aprendizagem de seus filhos”, estima.