domingo, 21 de fevereiro de 2016

Falta de escrever à mão 'pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças' - http://www.bbc.com/

Falta de escrever à mão 'pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças'

  • 12 fevereiro 2015
AFP
Image captionPesquisa sugere que escrever à mão é mais benéfico para crianças
Uma pesquisa americana sugere que o uso excessivo de teclados e telas sensíveis ao toque em vez de escrever à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento de crianças.
A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos Estados Unidos, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro infantil.
Ela estudou crianças que, apesar de ainda não alfabetizadas, eram capazes de identificar letras, mas não sabiam como juntá-las para formar palavras.
No estudo, as crianças foram separadas em grupos diferentes: um foi treinado para copiar letras à mão enquanto o outro usou computadores.
A pesquisa testou a capacidade destas crianças de aprender as letras; mas os cientistas também usaram exames de ressonância magnética para analisar quais áreas do cérebro eram ativadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto.
O cérebro das crianças foi analisado antes e depois do treinamento e os cientistas compararam os dois grupos diferentes, medindo o consumo de oxigênio no cérebro para mensurar sua atividade.

Respostas diferentes

Os pesquisadores descobriram que o cérebro responde de forma diferente quando aprende através da cópia de letras à mão de quando aprende as letras digitando-as em um teclado.
As crianças que trabalharam copiando as letras à mão mostraram padrões de ativação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas, que conseguem ler e escrever.
AFP
Image captionEscrever à mão ativa áreas diferentes do cérebro das crianças
Este não foi o caso com as crianças que usaram o teclado.
O cérebro parece ficar "ligado" e responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escrevê-las à mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever e o de aprender a ler.
"Os dados do exame do cérebro sugerem que escrever prepara um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por este processo", disse James.
Além disso, desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas necessárias para escrever à mão pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo, acrescentou a pesquisadora.

Computadores em escolas

AFP
Image captionMuitas escolas têm pressa em implantar computadores em classes com crianças cada vez mais jovens
As descobertas da pesquisa podem ser importantes para formular políticas educacionais.
"Em partes do mundo, há uma certa pressa em introduzir computadores nas escolas cada vez mais cedo, isto (esta pesquisa) pode atenuar (esta tendência)", disse Karin James.
Muitas escolas americanas já transformaram o ensino da escrita à mão em alternativa opcional para professores. Por isso, muitos educadores não ensinam mais caligrafia.
Uma solução poderia seria usar algum programa em um tablet que simulasse o ato de escrever à mão.
Mas, pelo que a pesquisa da cientista sugere, nada parece substituir o aprendizado com a escrita à mão.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Escrita de notícias com base em fábulas-http://revistaescola.abril.com.br/

Escrita de notícias com base em fábulas

Ao relacionar diferentes gêneros, a garotada conseguiu aprimorar a escrita

Ariane Alves (ariane.alves@fvc.org.br). Edição Elisa Meirelles
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Curto e direto: entendendo o jornal

A discussão foi o gancho para começar a segunda etapa do projeto. "Assim como Monteiro Lobato fez uma releitura da história original, nós também faremos algo parecido, só que vamos usar outro gênero textual: a notícia", explicou o educador. Em seguida, pediu que as crianças sentassem em roda e distribuiu vários jornais, propondo que identificassem as partes que os compõem: cadernos, notícias, charges etc.

Feita a primeira análise, Carlos convidou a sala a observar as manchetes e destacou fatores que as caracterizam, como o uso de títulos nominais, a composição curta e a busca pela atenção do leitor. A turma criou manchetes com base em notícias lidas. Em seguida, o educador passou à discussão sobre a escrita, mostrando as duas características principais da notícia: o lead e a pirâmide invertida. Partindo de exemplos reais, explicou que o primeiro parágrafo da narrativa jornalística busca responder "quem", "o que", "quando", "onde", "como" e "por quê", e que o texto parte dos fatos mais importantes para chegar aos de menor relevância.

Moral da história: leia o lead

Conhecidos os dois gêneros, os alunos seguiram para o grande desafio: transformar uma fábula em notícia. Para começar, o professor propôs a escrita coletiva de um primeiro texto. Ele foi ao quadro e produziu uma notícia com a participação de todos, baseando-se na famosa história da cigarra e da formiga. Carlos desenhou uma pirâmide e pediu a contribuição dos alunos para encadear os fatos do mais para o menos importante. "O que aconteceu? Onde aconteceu?". "Era preciso imaginar o contexto de um crime, dando dramaticidade ao fato e contando-o como se fosse real", explica o docente. "Ver o professor em ação, pensando, criando, decidindo quais informações vale a pena incluir no texto é uma referência importante para a turma", diz Cláudio Bazzoni, assessor da rede municipal de São Paulo.

As crianças, então, foram colocadas em duplas para dar início às próprias produções. A sala elegeu como tema a fábula A Cigarra e a Formiga Má. Carlos propôs que escrevessem uma primeira versão da notícia, inspirados nas discussões que tiveram nas etapas anteriores. Em seguida, o educador distribuiu um roteiro de revisão (veja as questões abaixo). A proposta era que os alunos fizessem essa primeira análise sozinhos, atentando para pontos que tinham deixado passar e conferindo se haviam dado conta das especificidades pedidas. Para o educador, essa revisão foi o ponto-chave do projeto e deu condições para que as crianças refletissem sobre o processo de escrita.

Terminadas as discussões, as duplas escreveram novas versões para o texto. "Nessa fase de produção e revisão, procurei atender todos em suas carteiras para sanar as dúvidas e auxiliá- los", diz Carlos. "Eu tinha um aluno que escrevia quatro ou cinco linhas e parava - não conseguia desenvolver o texto além disso. Ao final, com a ajuda do colega de dupla, ele pôde elaborar todas as partes e apresentou uma notícia bem estruturada."

Escritos os textos, o educador propôs que preparassem manchetes e ilustrações. O resultado foi uma coletânea de minijornais. Além de esclarecer o propósito comunicativo da notícia, a situação pode ser aproveitada como meio para os alunos escreverem para suportes reais, a exemplo do jornal da escola ou do bairro.

"Eles passaram a valorizar o planejamento e a revisão do que produzem", avalia Carlos, que acertou ao incluir textos curtos e de fácil compreensão em sua proposta de abordagem de dois gêneros. "As crianças puderam não só identificar suas características como fazer inferências e relacioná-las com outras produções", afirma Manuela.
Quer melhorar seu texto?Siga este roteiro de revisão e analise a sua escrita
  • A manchete é criativa? Instiga o leitor a ler?
  • lead responde às seis perguntas básicas de uma notícia?
  • As informações mais importantes estão na parte de cima da notícia, seguindo o esquema da pirâmide invertida?
  • A fábula foi recriada de modo adequado?
  • Todos os fatos estão narrados de maneira clara e objetiva?
  • A linguagem da notícia é impessoal?
  • Há algum erro de ortografia, concordância ou outro elemento que fuja à norma-padrão da língua?
  • Peça que o colega leia e avalie seu texto.
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Escrita de notícias com base em fábulas-http://revistaescola.abril.com.br/

Escrita de notícias com base em fábulas

Ao relacionar diferentes gêneros, a garotada conseguiu aprimorar a escrita

Ariane Alves (ariane.alves@fvc.org.br). Edição Elisa Meirelles
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Escrita de notícias com base em fábulas. Elisa Carareto
A trágica morte de uma cigarra foi revelada em detalhes pelos alunos do 6º ano da EMEB Suzana Albino França, em Lages, a 225 quilômetros de Florianópolis. Inspirados por reportagens que leram e discutiram nas aulas do professor Carlos Eduardo Canani, eles aceitaram o desafio e elaboraram um jornal com base em fábulas que conheciam. Ao analisar os textos finais (como o que você lê na página abaixo), fica claro que a moçada se apropriou das características do gênero e usou a criatividade para produzir notícias para jornalista nenhum botar defeito.

A ideia do projeto surgiu depois de diagnósticos que Carlos realizou com a turma ao longo de um bimestre. As produções dos alunos eram bastante primárias e se restringiam ao campo da imaginação. "Eles também desconheciam autores importantes, como Monteiro Lobato, e não apresentavam um repertório relevante de leitura, limitando-se, muitas vezes, às obras pedidas pela escola", conta. O hábito de ler jornais ou assistir a noticiários tampouco fazia parte da rotina.

Carlos, então, elaborou um projeto para aprimorar a interpretação de texto, apresentar novos gêneros à garotada e ensinar as etapas de planejamento, produção e revisão textual. A proposta consistia em escrever notícias retrabalhando o conteúdo de fábulas. "Relacionar diferentes tipos de texto é uma boa estratégia para que os alunos passem a diversificar a estrutura de suas produções", explica Manuela Prado, professora do Colégio Santa Cruz, em São Paulo.
Formiga mata cigarra a cadeiradas
No dia 08 de maio de 2013, na cidade de Lages, serra catarinense, uma cigarra foi brutalmente assassinada a cadeiradas. O crime foi cometido por uma formiga por motivo até agora desconhecido.

A cigarra era moradora de rua e ganhava a vida cantando na praça da cidade, vivendo de doações das pessoas. Contudo, devido rigoroso inverno serrano, o movimento na praça se reduziu para ver as apresentações da cigarra. Dessa forma, por estar com frio e fome, a cigarra implorou abrigo e comida na porta da formiga.

Desconfia-se que elas já tinham um desafeto anterior e que a formiga tinha inveja da cigarra cantar tão bem. As duas discutiram e a formiga nervosa matou a cigarra a cadeiradas, deixando seu corpo congelar lá fora.

Os vizinhos esquilos escutaram os gritos e a discussão e denunciaram o crime à polícia. Rapidamente, os policiais chegaram em prender uma formiga em flagrante. Ela por sua vez, negou a autoria do crime e disse que só fará declarações na presença de um advogado.

De acordo com as circunstâncias, pode se dizer que a formiga já planejava matar a cigarra há muito tempo. Se condenada a acusada poderá receber pena de até 30 anos de prisão em regime fechado por homicídio qualificado

Adequação: o uso de expressões comuns nos jornais (como "desconfia-se") mostra que a turma se apropriou do gênero.
Atratividade: os alunos se preocuparam em narrar os fatos como se fossem reais, dando credibilidade ao texto.

Versões incrementam a compreensão


O professor optou por começar pela fábula após identificar ser esse o gênero mais conhecido pelos estudantes. Ele pediu uma pesquisa na biblioteca e a leitura de alguns exemplos em casa, que foram discutidos depois em classe. Carlos fez perguntas como: "Quem são os personagens? O que há de comum em todas essas fábulas?". "São todos animais, têm sentimentos humanos, são histórias curtinhas que têm uma moral", responderam.

Na aula seguinte, o professor apresentou a fábula A Cigarra e a Formiga e duas adaptações do texto feitas por Monteiro Lobato: A Cigarra e a Formiga Boa e A Cigarra e a Formiga Má. A intenção de Carlos era ampliar o repertório dos alunos e, ao mesmo tempo, levá-los a pensar sobre a reescrita de uma história
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