quarta-feira, 6 de abril de 2016

12 livros indispensáveis para professores de Língua Portuguesa 11/03/2016 às 13:34

12 livros indispensáveis para professores de Língua Portuguesa

 | Sugestão de leitura
Heloisa Ramos, consultora de NOVA ESCOLA | Crédito: Marcos Rosa
Heloisa Ramos, consultora de Nova Escola, revirou sua biblioteca e fez pesquisas cuidadosas para eleger os livros que todo professor de Língua Portuguesa precisa conhecer. Inicialmente escolheu 10 títulos, mas lembrou de mais dois, um mais clássico e outro de publicação recente, e fechou uma lista ainda mais completa. Junto de cada obra, você vai ler o que ela descreve sobre o livro e qual sua importância.
“Procurei por títulos que tratam da formação do leitor e do escritor, têm como foco a oralidade e o trabalho com a linguagem”, conta. Ela se emociona ao dizer o que eles representaram em sua trajetória. Antes de conhecer os títulos que ela selecionou, vale ler seu depoimento (e se emocionar também): “Esses livros foram, pouco a pouco, ocupando as prateleiras das minhas estantes durante meu percurso profissional, como professora, autora de livro didático e formadora. Desde que iniciei minha carreira de professora de Língua Portuguesa, não parei de me atualizar. O mundo gira, as pesquisas avançam e a sala de aula não pode ficar ausente das transformações. As ciências que estudam a linguagem tiveram grande evolução nos últimos cem anos e revolucionaram o ensino das línguas. Sempre fui atrás de cursos e leituras que respondessem às minhas inquietações e desassossegos. Dessa forma, a teoria vinha preencher o que estava procurando e iluminava a minha prática. Foi assim que me encantei quando descobri a dimensão interacionista e dialógica da linguagem, o ensino da leitura e da escrita dos gêneros textuais, a leitura para além da decifração, que leitura literária e gêneros orais devem compor o currículo e o lugar de ‘prestador de serviço’ que o estudo gramatical ocupa em função da compreensão e da produção de textos orais e escritos. Em função da constatação de que tais concepções na prática promovem real aprendizagem da língua em uso, passei a defender que o objetivo primeiro do ensino de LP é formar usuários que façam uso adequado e competente da língua, produzindo e compreendendo a linguagem oral e escrita. Tudo o que disse resumidamente aqui está esplendidamente desenvolvido nas obras citadas. Eterno agradecimento aos autores de livros tão queridos.”
Veja abaixo quais livros para você ler, reler e consultar sempre (e não só ficar nas estantes!), conforme a sugestão da Helô:
portos
Portos de Passagem, João Wanderley Geraldi, 288 págs., Ed. WMF Martins Fontes, tel. (11) 3292-2660, 54,90 reais. Um dos mais influentes teóricos na mudança de paradigma do ensino de Língua Portuguesa no país, fundamentado especialmente na perspectiva interacionista, Geraldi propõe três práticas para esse ensino: leitura, produção e análise linguística. Portos de Passagem é uma obra inaugural dos conceitos hoje presentes nos documentos que orientam o ensino de Língua Portuguesa. É um livro de reflexão e estudo sobre as práticas tradicionais e as práticas fundamentadas na linguagem vistas como espaço de interação.
o texto na
O Texto da Sala de Aula, João Wanderley Geraldi, 125 págs., Ed. Ática, tel. 4003-3061, 34,90 reais. Coletânea de doze artigos escritos por Geraldi e por sete outros autores. Organiza-se em torno de quatro tópicos: fundamentos, práticas de sala de aula, sobre a leitura na escola e sobre a produção de textos na escola.
generos orais
Gêneros Orais e Escritos na Escola, Bernard Schneuwly, 240 págs., Ed. Mercado de Letras, tel. (19) 3241-7514, 66 reais. Existe pouco material para orientar o professor que pretende desenvolver a linguagem oral de seus alunos. A obra é, portanto, preciosa. O conceito de linguagem oral foge da oralidade espontânea e a coloca como expressão planejada de caráter público e formal. Seleciona a exposição oral e o debate regrado com exemplos detalhados.
preconceito
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno, 352 págs., Ed. Parábola Editorial, tel. (11) 5061-9262, 30 reais. O livro é uma referência na área da ciência da linguagem e no ensino da Língua Portuguesa. A obra explicita conceitos importantes, como preconceito linguístico, letramento, ortografia e noção de erro, ou mal compreendidos, como a confusão entre “norma padrão” e “norma culta”.
gramatica pedagogica
Gramática Pedagógica do Português Brasileiro, Marcos Bagno, 1056 págs., Ed. Parábola Editorial, tel. (11) 5061-9262, 127 reais. Obra que ajuda o professor que quer levar para a sala de aula o estudo da Língua Portuguesa do Brasil. Contribui para a formação dos professores em serviço e os que estão se formando. É uma gramática pedagógica para formar professores, não didática. Descreve o português contemporâneo usado pelos brasileiros escolarizados das grandes cidades do país.
letramento
Letramento: Um Tema em Três Gêneros, Magda Soares, 128 págs., Ed. Autêntica, tel. (11) 3034-4468, 41 reais. Conceitua e defende o letramento como um direito humano absoluto, independentemente das condições econômicas e sociais em que um dado grupo humano esteja inserido. Aborda o tema sob três gêneros diferentes: verbete para o professor-leitor; texto didático para professor-leitor-estudante (que orienta a reflexão do professor); ensaio para profissionais que buscam suporte teórico para avaliar e medir letramento e alfabetização.
generos textuais
Gêneros Textuais e EnsinoÂngela Paiva Dionisio (org.),248 págs., Ed. Parábola Editorial, tel. (11) 5061-9262, 37 reais. Este livro conceitua os gêneros textuais de forma esclarecedora. Destaco o capítulo Gêneros textuais: definição e funcionalidade, de Luiz Antônio Marcuschi. Além dos suportes teóricos, apresenta práticas de ensino, com propostas didáticas para o trabalho com os gêneros textuais.
o texto e construcao
O Texto e a Construção dos Sentidos, Ingedore Villaça Koch, 128 págs., Ed. Contexto, tel. (11) 3832-5838, 23 reais. Este livro fornece elementos para o professor ampliar seu conhecimento teórico de como se dá o processo de produção textual, concebido como atividade interacional, na produção de sentido nas modalidades escrita e falada da língua.
letramento literario
Letramento Literário: Teoria e Prática, Rildo Cosson, 144 págs., Ed. Contexto, tel. (11) 3832-5838, 29 reais. Leitura de literatura se ensina. Esse é um livro que discute o valor social da literatura e analisa teoricamente o processo de leitura. Apresenta práticas do letramento literário, em sala de aula, com exemplos.
aula de port
Aula de Português: Encontro e Interação, Irandé Antunes, 184 págs., Ed. Parábola Editorial, tel. (11) 5061-9262, 29 reais. Indico para o professor iniciante que quer ampliar a compreensão de um ensino de língua que forma bons usuários dessa língua. A autora parte de uma reflexão e, assumindo a dimensão interacional da linguagem, propõe um ensino para a escrita, a leitura, a gramática e para a oralidade, sem esquecer-se da avaliação.
estrategias de leitura
Estratégias de Leitura, Isabel Solé, 194 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 78 reais. Neste livro, a espanhola Solé destrincha sobre o que ocorre quando lemos e pretende contribuir para o debate conceitual e prático sobre o ensino da leitura. Afirma que o leitor dialoga com o texto o tempo todo, e que o processo de leitura não é simples: “Cabe ao educador oferecer às crianças os segredos que utilizam quando eles próprios leem”, conforme escreve a pedagoga Cristiane Pelissari nesta resenha.
multiletramentos
Multiletramentos na Escola, Roxane Rojo e Eduardo Moura, 264 págs., Ed. Parábola Editorial, (11) 5061-9262, 42,50 reais. Num mundo em que crianças e jovens produzem materiais diversos, sejam vídeos ou animações, por exemplo, o professor não pode se restringir ao letramento. Conforme indica o livro, ele precisa ampliar sua forma de trabalho para responder aos desafios que a tecnologia impõe. Para explorar o assunto, o título explora o conceito de multiletramentos e explica o que isso significa: é a forma de o professor trabalhar partindo das culturas de referência dos alunos.
Esperamos que tenha aproveitado e se inspirado para escolher suas próximas leituras!
Quais desses livros você conhece? De que forma aproveita os conteúdos presentes neles? Lembra-se de mais algum título para complementar esse material? Por favor, deixe sua experiência aqui nos comentários.
Até o próximo post!
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domingo, 3 de abril de 2016

Ensino de língua portuguesa é um fracasso Por Dev in Parábola Editorial-http://www.parabolaeditorial.com.br/blog/entry/ensino-de-lingua-portuguesa-e-um-fracasso

Ensino de língua portuguesa é um fracasso

Por  in Parábola Editorial
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Ensino de língua portuguesa é um fracasso
Texto reproduzido da Revista Profissão Mestre escrito por Carolina Mainardes
publicado 04 de maio de 2015
O escritor Marcos Bagno considera lamentável, para dizer o mínimo, que a imagem da língua portuguesa tenha sido empobrecida e reduzida a uma nomenclatura profusa e confusa e a exercícios mecânicos de análise sintática e morfológica. Para ele, essas são “práticas que se revelam, ao fim e ao cabo, inúteis e irrelevantes para, de fato, levar alguém a se valer dos muitos recursos que a língua oferece”. Ganhador do Prêmio Jabuti, Bagno é professor da Universidade de Brasília (UnB), pesquisador associado do Instituto da Língua Galega – Universidade de Santiago de Compostela, e atua no campo da educação linguística. No livroPreconceito linguístico, reeditado pela Parábola Editorial, o escritor reitera seu discurso em favor de uma educação linguística voltada à inclusão social, ao reconhecimento e à valorização da diversidade cultural brasileira.

Nesta entrevista à Profissão Mestre, ao falar sobre o resultado do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que revelou desempenho fraco dos estudantes brasileiros em redação, Bagno dispara: “O ensino de língua portuguesa e de produção de texto é um fracasso”. O linguista afirma que o maior problema do Brasil é a deficiência de letramento que atinge não só a maioria de nossa população (75% dos brasileiros são analfabetos funcionais), como também as pessoas que supostamente deveriam trabalhar para a inserção dos aprendizes na cultura letrada: as professoras e os professores de Português (e, por tabela, os das outras disciplinas). “A formação que se dá nos cursos de Pedagogia e de Letras em nosso país é péssima, anacrônica, ultrapassada”, critica. Acompanhe a seguir a entrevista com o autor.
Profissão Mestre: “Português é muito difícil”. Como derrubar esse mito?
Marcos Bagno: Como nosso ensino da língua sempre se baseou na norma gramatical literária de Portugal, as regras que aprendemos na escola em boa parte não correspondem à língua que realmente falamos e escrevemos no Brasil. Por isso, achamos que “português é uma língua difícil”: porque temos de decorar conceitos e fixar regras que não significam nada para nós. No dia em que nosso ensino de português se concentrar no uso real, vivo e verdadeiro da língua portuguesa do Brasil, é bem provável que ninguém mais continue a repetir essa ideia falsa. Todo falante nativo de uma língua sabe essa língua. Saber uma língua, na concepção científica da linguística moderna, significa conhecer intuitivamente e empregar com facilidade e naturalidade as regras básicas de funcionamento dela. Se tanta gente continua a repetir que “português é difícil”, é porque o ensino tradicional da língua no Brasil não leva em conta o uso brasileiro do português. Um caso típico é o da regência verbal. A professora pode mandar o aluno copiar quinhentas mil vezes a frase “Assisti aofilme”. Quando esse mesmo aluno puser o pé fora da sala de aula, ele vai dizer ao colega: “Ainda não assisti o filme novo do Batman!”. Isso porque a gramática brasileira não sente a necessidade daquela preposição a, que era exigida na norma clássica literária, cem anos atrás, fixada em Portugal, a dez mil quilômetros daqui. É um esforço árduo e inútil, um verdadeiro trabalho de Sísifo, tentar impor uma regra que não encontra justificativa na gramática intuitiva do falante. No fundo, a ideia de que “português é muito difícil” serve como mais um dos instrumentos de manutenção do status quo das classes sociais privilegiadas. Essa entidade mística e sobrenatural chamada “português” só se revela aos poucos “iniciados”, aos que sabem as palavras mágicas exatas para fazer ela se manifestar. Tal como na Índia Antiga, o conhecimento da gramática é reservado a uma casta sacerdotal, encarregada de preservá-la “pura” e “intacta”, longe do contato infeccioso dos párias. O mito de que o “português é muito difícil” tem sua origem também na confusão, gerada no ambiente escolar, entre a língua propriamente dita e a codificação tradicional da língua, isto é, a gramática normativa. Para muita gente, “saber português” é saber o que é uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo ou saber distinguir um complemento nominal de um adjunto adnominal. É lamentável, para dizer o mínimo, que a imagem da língua tenha sido empobrecida desse jeito, reduzida a uma nomenclatura profusa e confusa e a exercícios mecânicos de análise sintática e morfológica, práticas que se revelam, ao fim e ao cabo, inúteis e irrelevantes para, de fato, levar alguém a se valer dos muitos recursos que a língua oferece.
Profissão Mestre: O último Enem revelou desempenho fraco dos estudantes brasileiros em redação. Em sua opinião, esse resultado indica que o ensino de língua portuguesa e de produção de texto está fracassando?
Bagno: Eu corrigiria sua pregunta dizendo que o ensino de língua portuguesa e de produção de texto é um fracasso, e não que está fracassando. Nosso maior problema é a deficiência de letramento que atinge não só a maioria de nossa população (75% dos brasileiros são analfabetos funcionais), como também as pessoas que supostamente deveriam trabalhar para a inserção dos aprendizes na cultura letrada: as professoras e os professores de Português (e, por tabela, os das outras disciplinas). A formação que se dá nos cursos de Pedagogia e de Letras em nosso país é péssima, anacrônica, ultrapassada. O próprio nome do curso de Letras revela um apego inconcebível a concepções de língua e de ensino de língua que vigoravam no século 19, antes do surgimento da linguística moderna e das teorias pedagógicas mais avançadas. As pessoas que se formam hoje em dia como docentes vêm de camadas sociais desfavorecidas, de famílias com baixa instrução formal e, muitas vezes, com pais e mães analfabetos. Sem se dar conta disso, a universidade acolhe essas pessoas como se elas já fossem ótimas leitoras e produtoras de texto, quando na grande maioria dos casos vai ser ali, na universidade, que pela primeira vez elas terão de ler um livro completo, uma obra teórica, um romance de autor consagrado. O resultado é um desastre ecológico pior que as queimadas da Amazônia: as pessoas saem diplomadas sem habilidades mínimas de leitura e de escrita e depois vão ocupar as salas de aula, onde supostamente deveriam ensinar outras pessoas a ler e a escrever. Enquanto não houver uma implosão dos cursos de Letras e Pedagogia e a construção de novas estruturas acadêmicas realistas e honestas, capazes de formar docentes dignos desse nome, continuaremos a viver essa tragédia.
Profissão Mestre: É necessário repensar o ensino de língua portuguesa nas escolas brasileiras? Nesse caso, o que deve mudar?
Bagno: De certa maneira, já respondi, ao falar da situação catastrófica dos cursos de Letras e Pedagogia no Brasil. Tem havido muitas iniciativas oficiais louváveis nos últimos anos, com projetos bem direcionados à renovação do ensino nas escolas públicas. Um desses [projetos] é o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que há mais de vinte anos adquire e distribui material didático de qualidade a todas as escolas do país. Livros didáticos melhores favorecem um ensino melhor. No entanto, como já mencionei, não adianta entregar bons livros para docentes incapazes de interagir satisfatoriamente com eles. Não admira que os livros mais conservadores e menos exigentes sejam exatamente os mais escolhidos pelos docentes: sua formação deficiente não lhes permite fazer um uso autônomo, criativo e crítico das obras didáticas de ponta. Por isso é que insisto: antes de pensar em mudar o que acontece nas escolas, é preciso mudar o que acontece na formação docente.
Profissão Mestre: Há resistência em substituir os métodos tradicionais de ensino da língua portuguesa no Brasil?
Bagno: Sim, muita resistência. Ela se deve, principalmente, às horrendas condições de trabalho nas escolas públicas. A professora tem de enfrentar muitas vezes três turnos de aulas, com classes superlotadas, para receber um salário obsceno. Como exigir que possa preparar as aulas, pesquisar material interessante, discutir com colegas, ler etc.? Assim, é mais fácil e menos estafante dar as aulas de sempre, que já estão prontas há muito tempo ou já vêm preparadas no livro didático. Não é questão de preguiça: é questão de péssimas condições de trabalho. Muitas pessoas dedicadas à docência repetem que o salário, embora importante, conta menos que as condições de trabalho. Não adianta querer revolucionar o ensino sem garantir que essa revolução seja feita por pessoas bem pagas e bem preparadas. Outro problema é que, apesar de todos os avanços teóricos e metodológicos ocorridos nas ciências da linguagem e da educação nos últimos tempos, muita gente que ensina nas universidades ainda prega uma doutrina gramatical anacrônica, ultraconservadora, em consonância com uma ideologia política igualmente conservadora. É muito comum, por exemplo, que os estudantes, ao fazerem os estágios docentes coordenados por professores dos cursos de Pedagogia, escutem que “linguística é tudo bobagem, o que vale mesmo é a gramática tradicional”.
Profissão Mestre: Em relação à mitologia do preconceito linguístico, analisada no livro, quais os mitos mais difíceis de destruir?
Bagno: Todos esses mitos estão interligados, formam uma rede de crenças falsas que configura uma ideologia linguística, muito impregnada em nossa cultura. Além disso, o preconceito linguístico é somente um disfarce para algo mais sério e mais profundo: o preconceito social. Como as pessoas hoje em dia tentam não emitir declarações preconceituosas sobre gênero, raça, origem geográfica, orientação sexual, classe etc., elas se valem da língua para externar sua concepção atrasada de sociedade. O preconceito linguístico é muito arraigado, até mesmo entre pessoas que se julgam progressistas. É talvez a única forma de preconceito que reúne pessoas de todos os pontos do espectro político, desde a extrema direita até a extrema esquerda. Tem muito trabalho ainda a ser feito nessa área.
Profissão Mestre: A gramática tradicional é citada no livro como um instrumento de dominação e exclusão social. Como isso ocorre?
Bagno: Desde que a disciplina chamada Gramática surgiu, no século III a.C., na cultura de língua grega, seu objetivo foi determinar um modo supostamente “bonito” e “correto” de falar e, principalmente, de escrever. Para tanto, os gramáticos selecionaram como modelo dessa língua “correta” os usos de um grupo social muito restrito: (a) homens (já que as mulheres eram vistas como socialmente inferiores); (b) livres (já que a sociedade se baseava no trabalho escravo); (c) pertencentes à oligarquia social (classe dominante); (d) letrados (capazes de ler e escrever). Fica fácil imaginar quantas pessoas, no mundo antigo, preenchiam todos esses critérios: uma ínfima minoria da população. Essa ideia de que a língua “bonita e boa” pertencia a uma elite continuou a vigorar durante os séculos seguintes. O primeiro gramático português, Fernão de Oliveira, escreveu que era preciso “aprender a falar melhor com os melhores” (1536). O gramático português João de Barros, no século 16, dizia que a gramática se valia do “uso dos barões doutos”, isto é, dos homens (barõesé uma forma antiga de varões) letrados. No século 17, o aristocrata francês Vaugelas dizia que a língua exemplar era a da “parte mais sadia da Corte”, ou seja, da nata da aristocracia. Essa seleção implicou, desde sempre, na exclusão de todo o resto da sociedade: mulheres, classes sociais subalternas, pessoas sem educação formal etc. Como escreveram os linguistas brasileiros Rodolfo Ilari e Renato Basso, nunca existiu uma “gramática dos pobres”. Assim, tentar impor um modelo de língua altamente idealizado e elitizado para todo o resto da população é tentar, ao mesmo tempo, impor um modo de vida, uma visão de mundo, uma concepção de sociedade extremamente elitista e excludente. Por isso, as gramáticas de perfil tradicional, mesmo que não assumam explicitamente essa ideologia retrógrada, filiam-se a essas ideias a partir do momento em que só dão exemplos do “uso” da língua extraídos de obras literárias de autores consagrados, de preferência já bem mortos e enterrados. Por isso, é preciso libertar o ensino dessa ideologia e levar as pessoas a se apoderar de sua língua sob todos os seus aspectos e usos, e não somente visando ao domínio de um padrão irrealista, anacrônico e excludente.
Profissão Mestre: O professor deve ter consciência de que o domínio da norma culta tem implicações socioculturais? Esse entendimento pode contribuir para melhorar o ensino da língua portuguesa?
Bagno: A primeira grande questão aqui é terminológica. Existe uma confusão muito grande quando se fala de “norma culta”. As pessoas acham que sabem o que esse termo designa, mas na verdade não sabem. Na sociolinguística, chamamos de “norma culta” (ou, como eu prefiro, de “variedades urbanas de prestígio”) o conjunto das variedades autênticas realmente empregadas pelas pessoas rotuladas de cultas, isto é, com vivência urbana e curso superior completo. Gravando a fala real dessas pessoas, conseguimos identificar a verdadeira norma culta brasileira, que apresenta grandes traços gerais, mas também distinções regionais. Por outro lado, existe um modelo idealizado de “língua correta”, inspirado nas opções dos escritores consagrados do passado. Esse modelo é chamado de “norma-padrão". Essa norma-padrão é o que nos diz, por exemplo, que a conjugação verbal tem seis pessoas (eu, tu, ele, nós, vós, eles), sem levar em conta que o pronome tu, no Brasil, é de uso restrito a algumas regiões, e que o pronome vós deixou de ser usado na língua portuguesa há mais de 300 anos. Já na norma culta real encontramos um quadro de conjugação diferente: eu, tu/você, ele, nós/a gente, vocês, eles. É essa norma culta real que precisa ser conhecida e realmente ensinada. É nela que falam e escrevem as pessoas cultas do Brasil hoje. Ninguém usa a norma-padrão, a não ser em textos escritos altamente formais e, mesmo assim, cada vez mais raros. De toda maneira, tanto a norma culta real quanto a norma-padrão ideal precisam ser apresentadas na escola como entidades socioculturais sujeitas, como tudo na sociedade, ao impacto das ideologias, das concepções de mundo e da sociedade. Para isso, é preciso se libertar da dicotomia do “certo” e do “errado” como se fossem verdades eternas e questionar: “Certo” para quem? “Certo” onde? Quando? Para que classes sociais? Em que gêneros textuais?
Profissão Mestre: O senhor defende que usar a língua, tanto na modalidade oral como na escrita, é encontrar o ponto de equilíbrio entre dois eixos: o da adequabilidade e o da aceitabilidade. Como esse equilíbrio funciona na prática de ensino da língua portuguesa? É possível respeitar as características regionais da língua?
Bagno: Quando falamos (ou escrevemos), tendemos a nos adequar à situação de uso da língua em que nos encontramos: se é uma situação formal, tentaremos usar uma linguagem formal; se é uma situação descontraída, uma linguagem descontraída, e assim por diante. Essa nossa tentativa de adequação se baseia naquilo que consideramos ser o grau de aceitabilidade do que estamos dizendo por parte de nosso interlocutor ou interlocutores. É totalmente inadequado, por exemplo, fazer uma palestra num congresso científico usando gíria, expressões marcadamente regionais, palavrões etc. A plateia dificilmente aceitará isso. É claro que, se o objetivo do palestrante for precisamente chocar seus ouvintes, aquela linguagem será muito adequada… Não é adequado que um agrônomo se dirija a um lavrador analfabeto usando uma terminologia altamente técnica e especializada, a menos que queira não se fazer entender (e, se for esse seu objetivo, sua fala será plenamente “adequada” à sua intenção). Como sempre, tudo vai depender de quem diz o quê, a quem, como, quando, onde, por que e visando a que efeito… Evidentemente, a noção de adequado varia de pessoa para pessoa, de grupo social para grupo social, de uma cultura para outra. Os compositores de rap e funk das periferias pobres e marginalizadas, por exemplo, fazem absoluta questão de compor suas letras sem se preocupar se serão aceitas ou não pelas classes privilegiadas da sociedade, pelas “pessoas de bem” e pelas noções de “bom gosto” que elas impõem, ou tentam impor, às outras classes sociais. Isso, para eles, é mais que simplesmente “adequado”: é uma arma na luta deles contra os terríveis preconceitos sociais que pesam sobre a imensa maioria de nossa população. Assim, “adequar-se” não significa obrigatoriamente satisfazer as expectativas das camadas dominantes, que ditam as regras e as normas, que querem impor seu modo de vida e sua visão de mundo ao resto da sociedade. Pode significar precisamente o contrário!
Profissão Mestre: Por fim, qual deve ser o objeto de ensino nas aulas de Português?
Bagno: Não se trata tanto de objeto, mas de objetivos de ensino de Português. O principal, primordial, precípuo (e eu diria até exclusivo) objetivo da educação linguística é a inserção do aprendiz na cultura letrada. Somos um país de analfabetos funcionais. Só poderemos ter uma população realmente capaz de exercer seus direitos e seus deveres, ou seja, de exercer sua cidadania, quando a maioria dela dominar plenamente a leitura e a escrita. E, para isso, já está provado e comprovado, não adianta de nada saber o que é uma oração subordinada substantiva completiva objetiva direta reduzida de infinitivo. Essa nomenclatura é irrelevante, inútil, e só serve para provocar a repulsa das pessoas pelas aulas de português. O importante é saber usar esse mecanismo gramatical, saber fazer uso adequado dos recursos que a língua oferece e, para isso, só com muita leitura, muita releitura, muita re-releitura, muita escrita, muita reescrita, muita re-reescrita. Enquanto se continuar achando que saber português é saber diferenciar um adjunto adnominal de um complemento nominal (diferença, aliás, que a linguística moderna contesta), as pessoas vão sair da escola sem saber ler, sem saber escrever e, claro, sem saber “gramática”, pois esse suposto saber não tem nenhuma serventia na vida dos cidadãos.
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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Falta de escrever à mão 'pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças' - http://www.bbc.com/

Falta de escrever à mão 'pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças'

  • 12 fevereiro 2015
AFP
Image captionPesquisa sugere que escrever à mão é mais benéfico para crianças
Uma pesquisa americana sugere que o uso excessivo de teclados e telas sensíveis ao toque em vez de escrever à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento de crianças.
A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos Estados Unidos, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro infantil.
Ela estudou crianças que, apesar de ainda não alfabetizadas, eram capazes de identificar letras, mas não sabiam como juntá-las para formar palavras.
No estudo, as crianças foram separadas em grupos diferentes: um foi treinado para copiar letras à mão enquanto o outro usou computadores.
A pesquisa testou a capacidade destas crianças de aprender as letras; mas os cientistas também usaram exames de ressonância magnética para analisar quais áreas do cérebro eram ativadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto.
O cérebro das crianças foi analisado antes e depois do treinamento e os cientistas compararam os dois grupos diferentes, medindo o consumo de oxigênio no cérebro para mensurar sua atividade.

Respostas diferentes

Os pesquisadores descobriram que o cérebro responde de forma diferente quando aprende através da cópia de letras à mão de quando aprende as letras digitando-as em um teclado.
As crianças que trabalharam copiando as letras à mão mostraram padrões de ativação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas, que conseguem ler e escrever.
AFP
Image captionEscrever à mão ativa áreas diferentes do cérebro das crianças
Este não foi o caso com as crianças que usaram o teclado.
O cérebro parece ficar "ligado" e responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escrevê-las à mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever e o de aprender a ler.
"Os dados do exame do cérebro sugerem que escrever prepara um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por este processo", disse James.
Além disso, desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas necessárias para escrever à mão pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo, acrescentou a pesquisadora.

Computadores em escolas

AFP
Image captionMuitas escolas têm pressa em implantar computadores em classes com crianças cada vez mais jovens
As descobertas da pesquisa podem ser importantes para formular políticas educacionais.
"Em partes do mundo, há uma certa pressa em introduzir computadores nas escolas cada vez mais cedo, isto (esta pesquisa) pode atenuar (esta tendência)", disse Karin James.
Muitas escolas americanas já transformaram o ensino da escrita à mão em alternativa opcional para professores. Por isso, muitos educadores não ensinam mais caligrafia.
Uma solução poderia seria usar algum programa em um tablet que simulasse o ato de escrever à mão.
Mas, pelo que a pesquisa da cientista sugere, nada parece substituir o aprendizado com a escrita à mão.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Escrita de notícias com base em fábulas-http://revistaescola.abril.com.br/

Escrita de notícias com base em fábulas

Ao relacionar diferentes gêneros, a garotada conseguiu aprimorar a escrita

Ariane Alves (ariane.alves@fvc.org.br). Edição Elisa Meirelles
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Curto e direto: entendendo o jornal

A discussão foi o gancho para começar a segunda etapa do projeto. "Assim como Monteiro Lobato fez uma releitura da história original, nós também faremos algo parecido, só que vamos usar outro gênero textual: a notícia", explicou o educador. Em seguida, pediu que as crianças sentassem em roda e distribuiu vários jornais, propondo que identificassem as partes que os compõem: cadernos, notícias, charges etc.

Feita a primeira análise, Carlos convidou a sala a observar as manchetes e destacou fatores que as caracterizam, como o uso de títulos nominais, a composição curta e a busca pela atenção do leitor. A turma criou manchetes com base em notícias lidas. Em seguida, o educador passou à discussão sobre a escrita, mostrando as duas características principais da notícia: o lead e a pirâmide invertida. Partindo de exemplos reais, explicou que o primeiro parágrafo da narrativa jornalística busca responder "quem", "o que", "quando", "onde", "como" e "por quê", e que o texto parte dos fatos mais importantes para chegar aos de menor relevância.

Moral da história: leia o lead

Conhecidos os dois gêneros, os alunos seguiram para o grande desafio: transformar uma fábula em notícia. Para começar, o professor propôs a escrita coletiva de um primeiro texto. Ele foi ao quadro e produziu uma notícia com a participação de todos, baseando-se na famosa história da cigarra e da formiga. Carlos desenhou uma pirâmide e pediu a contribuição dos alunos para encadear os fatos do mais para o menos importante. "O que aconteceu? Onde aconteceu?". "Era preciso imaginar o contexto de um crime, dando dramaticidade ao fato e contando-o como se fosse real", explica o docente. "Ver o professor em ação, pensando, criando, decidindo quais informações vale a pena incluir no texto é uma referência importante para a turma", diz Cláudio Bazzoni, assessor da rede municipal de São Paulo.

As crianças, então, foram colocadas em duplas para dar início às próprias produções. A sala elegeu como tema a fábula A Cigarra e a Formiga Má. Carlos propôs que escrevessem uma primeira versão da notícia, inspirados nas discussões que tiveram nas etapas anteriores. Em seguida, o educador distribuiu um roteiro de revisão (veja as questões abaixo). A proposta era que os alunos fizessem essa primeira análise sozinhos, atentando para pontos que tinham deixado passar e conferindo se haviam dado conta das especificidades pedidas. Para o educador, essa revisão foi o ponto-chave do projeto e deu condições para que as crianças refletissem sobre o processo de escrita.

Terminadas as discussões, as duplas escreveram novas versões para o texto. "Nessa fase de produção e revisão, procurei atender todos em suas carteiras para sanar as dúvidas e auxiliá- los", diz Carlos. "Eu tinha um aluno que escrevia quatro ou cinco linhas e parava - não conseguia desenvolver o texto além disso. Ao final, com a ajuda do colega de dupla, ele pôde elaborar todas as partes e apresentou uma notícia bem estruturada."

Escritos os textos, o educador propôs que preparassem manchetes e ilustrações. O resultado foi uma coletânea de minijornais. Além de esclarecer o propósito comunicativo da notícia, a situação pode ser aproveitada como meio para os alunos escreverem para suportes reais, a exemplo do jornal da escola ou do bairro.

"Eles passaram a valorizar o planejamento e a revisão do que produzem", avalia Carlos, que acertou ao incluir textos curtos e de fácil compreensão em sua proposta de abordagem de dois gêneros. "As crianças puderam não só identificar suas características como fazer inferências e relacioná-las com outras produções", afirma Manuela.
Quer melhorar seu texto?Siga este roteiro de revisão e analise a sua escrita
  • A manchete é criativa? Instiga o leitor a ler?
  • lead responde às seis perguntas básicas de uma notícia?
  • As informações mais importantes estão na parte de cima da notícia, seguindo o esquema da pirâmide invertida?
  • A fábula foi recriada de modo adequado?
  • Todos os fatos estão narrados de maneira clara e objetiva?
  • A linguagem da notícia é impessoal?
  • Há algum erro de ortografia, concordância ou outro elemento que fuja à norma-padrão da língua?
  • Peça que o colega leia e avalie seu texto.
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Escrita de notícias com base em fábulas-http://revistaescola.abril.com.br/

Escrita de notícias com base em fábulas

Ao relacionar diferentes gêneros, a garotada conseguiu aprimorar a escrita

Ariane Alves (ariane.alves@fvc.org.br). Edição Elisa Meirelles
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Escrita de notícias com base em fábulas. Elisa Carareto
A trágica morte de uma cigarra foi revelada em detalhes pelos alunos do 6º ano da EMEB Suzana Albino França, em Lages, a 225 quilômetros de Florianópolis. Inspirados por reportagens que leram e discutiram nas aulas do professor Carlos Eduardo Canani, eles aceitaram o desafio e elaboraram um jornal com base em fábulas que conheciam. Ao analisar os textos finais (como o que você lê na página abaixo), fica claro que a moçada se apropriou das características do gênero e usou a criatividade para produzir notícias para jornalista nenhum botar defeito.

A ideia do projeto surgiu depois de diagnósticos que Carlos realizou com a turma ao longo de um bimestre. As produções dos alunos eram bastante primárias e se restringiam ao campo da imaginação. "Eles também desconheciam autores importantes, como Monteiro Lobato, e não apresentavam um repertório relevante de leitura, limitando-se, muitas vezes, às obras pedidas pela escola", conta. O hábito de ler jornais ou assistir a noticiários tampouco fazia parte da rotina.

Carlos, então, elaborou um projeto para aprimorar a interpretação de texto, apresentar novos gêneros à garotada e ensinar as etapas de planejamento, produção e revisão textual. A proposta consistia em escrever notícias retrabalhando o conteúdo de fábulas. "Relacionar diferentes tipos de texto é uma boa estratégia para que os alunos passem a diversificar a estrutura de suas produções", explica Manuela Prado, professora do Colégio Santa Cruz, em São Paulo.
Formiga mata cigarra a cadeiradas
No dia 08 de maio de 2013, na cidade de Lages, serra catarinense, uma cigarra foi brutalmente assassinada a cadeiradas. O crime foi cometido por uma formiga por motivo até agora desconhecido.

A cigarra era moradora de rua e ganhava a vida cantando na praça da cidade, vivendo de doações das pessoas. Contudo, devido rigoroso inverno serrano, o movimento na praça se reduziu para ver as apresentações da cigarra. Dessa forma, por estar com frio e fome, a cigarra implorou abrigo e comida na porta da formiga.

Desconfia-se que elas já tinham um desafeto anterior e que a formiga tinha inveja da cigarra cantar tão bem. As duas discutiram e a formiga nervosa matou a cigarra a cadeiradas, deixando seu corpo congelar lá fora.

Os vizinhos esquilos escutaram os gritos e a discussão e denunciaram o crime à polícia. Rapidamente, os policiais chegaram em prender uma formiga em flagrante. Ela por sua vez, negou a autoria do crime e disse que só fará declarações na presença de um advogado.

De acordo com as circunstâncias, pode se dizer que a formiga já planejava matar a cigarra há muito tempo. Se condenada a acusada poderá receber pena de até 30 anos de prisão em regime fechado por homicídio qualificado

Adequação: o uso de expressões comuns nos jornais (como "desconfia-se") mostra que a turma se apropriou do gênero.
Atratividade: os alunos se preocuparam em narrar os fatos como se fossem reais, dando credibilidade ao texto.

Versões incrementam a compreensão


O professor optou por começar pela fábula após identificar ser esse o gênero mais conhecido pelos estudantes. Ele pediu uma pesquisa na biblioteca e a leitura de alguns exemplos em casa, que foram discutidos depois em classe. Carlos fez perguntas como: "Quem são os personagens? O que há de comum em todas essas fábulas?". "São todos animais, têm sentimentos humanos, são histórias curtinhas que têm uma moral", responderam.

Na aula seguinte, o professor apresentou a fábula A Cigarra e a Formiga e duas adaptações do texto feitas por Monteiro Lobato: A Cigarra e a Formiga Boa e A Cigarra e a Formiga Má. A intenção de Carlos era ampliar o repertório dos alunos e, ao mesmo tempo, levá-los a pensar sobre a reescrita de uma história
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